sábado, 6 de julho de 2019


2ª Parte- Da  Independência à 1ª Via: o longo caminho da normalização (janeiro de 2015)
É comum afirmar-se que Cabo Verde é um país que nasceu de um sonho utópico. Na realidade, reza a história que o sonho de uma nação independente parece ter sido acalentado desde o século XIX por uma elite cabo-verdiana proto-nacionalista, influenciada pela independência do Brasil, embora esbarrando no modus operandi para a sua conquita, os meios para a sua concretização e viabilidade, para um arquipélago desprovido de qualquer recurso. Inegavelmente, foi Amilcar Cabral e o partido que fundou em terras da Guiné, que permitiram concretizar o sonho da independência de Cabo Verde. Mesmo assim, a génese deste movimento não é alheia às reivindicações nacionalistas,/independentistas dos anos 60 nascidas nos países africanos, locais onde radicava uma importante comunidade emigrante, como é o caso do Senegal, uma colónia francesa bastante desenvolvida em contraste com Cabo Verde. É claro que embora a Guiné e Cabo Verde atingissem a independência em 1974 e 1975, concretizando o sonho de Amilcar Cabral, e hoje dois estados soberanos, o cerne do projecto inicial inspirado pelo líder do movimento consistia numa unidade orgânica das duas nações (a Unidade Guiné Cabo Verde).
Não se pode esquecer que esta ideia inspirava-se no pan-africanismo, uma ideia muito forte nascida nos meios nacionalistas africanos dos anos 60 e que visava o projecto de integração africana, como vinha acontecendo um pouco por todo o Mundo (Europa, América) com a criação de várias estruturas de integração supranacionais. Todavia, a Unidade Guiné-Cabo Verde não deixava de ser uma das principais fraquezas, o calcanhar de Aquiles do projecto político do PAIGC: a razão da própria existência deste partido supranacional acabava por ser o germe da destruição do mesmo. As dificuldades conceptuais e práticas na implementação do projecto da Unidade Guiné-Cabo Verde, durante a luta de libertação na Guiné, não deixou de ser admiravelmente explorado e combatido pelas autoridades coloniais portuguesas, com argumentos, hoje incontestáveis, sobre a sua inviabilidade concreta e prática. O facto de Portugal não pretender abrir mão do arquipélago de Cabo Verde, dada a sua importante posição geoestratégica, era a principal determinante da sua argumentação, e a história dos acontecimentos que se seguiram encarregar-se-iam de validar as suas razões. Os mesmos argumentos seriam retomados pelos detractores do PAIGC, no pós-25 de Abril, acabando por constituir o principal pomo de discórdia entre os protagonistas no terreno em Cabo Verde, no período de 1974/1975, o que levou tanta a gente para a prisão, sendo expropriada, torturada e forçada ao exílio. Este mesmo projecto seria a razão do Golpe de Estado de 1981 na Guiné-Bissau, pondo termo definitivamente a qualquer pretensão nesta matéria. Paradoxalmente, Cabo Verde, que é hoje um Estado de Direito e respeitador das diversas convenções internacionais, vê-se hoje obrigado a uma Lei da Reconciliação Nacional e a pagar “avultadas indemnizações” a expropriados da independência (3). Pela leitura rápida da notícia pode-se perguntar: 
E os crimes cometidos de 1974 a 1991, passarão sob silêncio desta lei? Quem são os responsáveis pelos crimes cometidos há precisamente 40 anos? São condenados e/ou amnistiados? E a longa lista de cidadãos que foram perseguidos, difamados e escorraçados de Cabo Verde ‘por da ca aquela palha’? São re-habilitados? E a situação dos descendentes dos condenados a trabalho forçado em S Tomé que ficaram abandonados nesta ilha tropical, vítimas colaterais de uma descolonização feita à pressa? Os enormes prejuízos aos cabo-verdianos, aos cidadãos comuns, de uma maneira geral, aos emigrantes 'embarcadistas' não são mencionados. Os prejuízos matérias e psicológicos causados à minha ilha natal e ao resto de Cabo Verde.
Estas questões veêm na mesma linha de pensamento de Armindo Ferreira num artigo publicado há anos em que defende “RECONCILIAÇÃO, SIM! INDULTO OU AMNISTIA, NÃO!” em que já escrevia: “Ao tentar escamotear a realidade, com a palavra escrita, o Governo fez um mau registo histórico e, por via disto, prestou um péssimo serviço à História. O Governo não pode pensar que no processo é apenas mediador, como pretende. É parte. Como o foi nas condecorações. Não pode por isso haver reconciliação se ele insiste em condecorar, e tratar como heróis, os responsáveis directos pelos acontecimentos de 1974/75, que diz condenar, e fazer das suas vítimas criminosos que ora pretende artificiosa e sub-repticiamente “indultar ou amnistiar”….”Fazer a reconciliação apenas reparando materialmente os prejuízos causados é negar a sua essência. A vítima não está a procura de dádivas ou esmolas do Governo em troca da sua honra ferida. Ela quer justiça! A reparação implica também a restituição da dignidade ultrajada. E isto só se consegue com humildade e nunca com arrogância e sobranceria como a manifestada no título do artigo 3º da proposta de lei: “Reabilitação e reinserção na comunidade política”. Talvez, por descuido, não se tenha feito a análise sociológica dos vocábulos “reabilitação” e “reinserção”. Não é abonatória para vítimas… possivelmente se aplica bem a criminosos, a marginais!” Efectivamente, pergunto, como é possível ter o descaso de pretender indultar/amnistiar inocentes e vítimas? Estamos em plena hipocrisia!!

 Ainda sobre este assunto Adriano Miranda escreveu como comentário (4) “Imaginem, “indultar”, “amnistiar” e “reinserir”, como então se disse com todas as letras e sem se dar conta do despautério. É caso para se dizer que o corifeu subiu ao retábulo da sua inconsciência e colocou a boca no trombone, mas sem se dar conta de que as notas saídas estavam desafinadas e dissonantes com a verdade e a moral. Isto só permite concluir, e peço desculpas pelo possível exagero, que a abertura democrática de 1990 ainda não tinha logrado converter as mentes para os princípios e as práticas da verdade límpida.”” Como reintegrar este sombrio período da História de Cabo Verde na história oficial? Estas são as questões deixadas à classe políticas e aos historiadores.
Mas o simples facto de notícia vir à luz, abre a uma possibilidade de um despertar de consciência de muitos cabo-verdianos, sobretudo a nova geração que não viveu o período conturbado, entorpecidos pela desinformação e a propaganda. Cria a sobretudo possibilidade de abrir o ‘dossier’ dos acontecimentos de 1974/75 e de outros episódios da 1ª República, pois uma vez que a porta está entreaberta, deve-se escancará-la. Mas não deixa de ser sobretudo uma competente bofetada a todos os ‘revolucionários’ que conscientemente ou inconscientemente praticaram actos condenáveis, e que vão continuara incólumes, embora ser obrigados a engolir mais este sapo, o da ‘realpolitik’.
A partir da Independência em 5 de Julho de 1975, os dois países divergir-se-iam inexorável e irreversivelmente da linha traçada por Amilcar Cabral. Tal desfecho era já previsível e por isso só poderá ter surpreendido os lunáticos, pois os dois estados vinham denunciando indícios claros da inviabilidade do projecto utópico e contranatura, concebido por quem fez descaso da distinta natureza idiossincrática entre os dois povos.
O que mais restará do núcleo duro da ideologia de Cabral em Cabo Verde? O que restará da ideia, respeitável mas utópica, da sociedade justa, sem classes e livre da exploração do homem pelo homem, inspirada nos ideais socialismo do século XX? Nada! Mas, felizmente para Cabral, não foi somente na Guiné e em Cabo Verde que este ideário não foi concretizado. Um pouco por todo o Mundo esse ideário tornou-se uma miragem. Ou não foram os próprios comunistas renovadores e os socialistas uma vez no poder (ao longo do século XX) que optaram pela gestão social do capitalismo, demostrando a impossibilidade de cumprir esse ideal num mundo dominado pelas relações capitalistas, em que a procura de vantagens competitivas entre as nações e jogos do mercado e do capital livres é prioritário face a qualquer questão ideológica. Os interesses de Estado e a competição internacional são, pois, uma camisa-de-forças que se sobrepõe às ideologias. Pois, se na ex-URSS, a crueza do capitalismo de estado, ou o socialismo real, escondia a realidade da Utopia, foi Deng Xiao Ping na China, ao querer introduzir magicamente doses de Capitalismo no Comunismo, que num estalar de dedos provocou a queda da ideologia que suportava os estados ditos socialistas no Mundo, provocando por efeito dominó a queda do bloco ‘socialista’ europeu. Paradoxalmente, Deng Xiao Ping acreditava na possibilidade da coexistência do socialismo num mundo dominado pela economia de mercado.
No caso de Cabo Verde, não obstante a ideologia proclamada pelos seguidores de Amílcar Cabral e o facto de o PAIGC/PAICV ser o partido de governo, exceptuando uma legislatura do MpD, o que se tem visto é uma crescente desigualdade social no país, com o fosso entre os ricos e os pobres a aumentar desmesuradamente, gerando situações críticas e sem aparente solução. A situação é paradoxal, pois trata-se de uma economia de mercado moldada pela realidade comezinha do país, e que espelha o pior dos capitalismos, o controlado pelo Estado, onde impera o clube de amigos e camaradas, com regras liberais aplicadas quando lhes convém, à discrição, e muitas vezes em detrimento do cidadão. Para além disso, o PAICV, partido herdeiro do PAIGC, para se perpetuar no poder e adaptar aos novos ventos, mudou, rejuvenesceu, vestiu a camisola ideológica do MPD, liberalizou-se, surfando na vaga dos novos tempos da democracia e da mundialização, tirando assim muito dos argumentos à oposição, que ficou sem bússola e aparentemente sem programa credível depois de perder o poder em 2000.
Janeiro de 2015                 
José Fortes Lopes

 

1-Ondina Ferreira: Identidade cabo-verdiana? Uma falsa questão no século XXI? ... Ou manobra de diversão resultado da nossa pouca "destreza" cultural?

http://www.coral-vermelho.blogspot.pt/2014/10/identidade-cabo-verdiana-uma-falsa.html
2-Quando o PAIGC Achou/Redescobriu S. Vicente. 2.ª Parte - A decadência de S. Vicente: o triunfo da ruralidade, o retorno ao passado e a crise de valores, http://mindelosempre.blogspot.pt/2014/01/0696-quando-o-paigc-achouredescobriu-s.html
3- http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article106666&ak=1
4-http://www.coral-vermelho.blogspot.pt/2015/01/reconciliacao-sim-indulto-ou-amnistia.html


3- Cabo Verde 40 anos Depois Da Independência: (Julho de 2015)
1ª Parte- Quando Cabo Verde renasce em S. Vicente
Não agradará a alguns, mas é um facto ilha de S. Vicente, mais propriamente na cidade do Mindelo, graças a um histórico concurso de circunstâncias e a conjugação de factores externos e endógenos, jogou um papel fundamental na génese do Cabo Verde moderno, na passagem à modernidade, após o que foi considerado uma longa noite colonial, quando o arquipélago deixou de ter a importância estratégica no seio do império português e mergulhou no marasmo. É ainda nesta cidade que se criam as condições políticas em 1974 para a existência do Cabo Verde que se conhece hoje, ou seja um país independente, uma situação criada por um evento inesperado, extraordinário, que foi o 25 de Abril.
 Foi precisamente em S. Vicente, nos meados do século XIX que se dava a luz o novo Cabo Verde e nascia um autêntico homem novo cabo-verdiano, que rompia com a vida rural, semi-feudal do fim da escravatura, para abraçar nesta ilha uma vida urbana livre, sob impulso do capitalismo mercantilista britânico, que estabeleceu os seus arraiais em torno da Baia do Porto Grande, com o intuito de controlar a importante rota do Atlântico Médio para seu império, rota que já tina sido exclusiva do império portrugues.
S. Vicente encarnava para o cabo-verdiano fechado no horizonte montanhoso da sua ilha natal, um El Dorado, a liberdade, o trabalho, o mundo e sobretudo a perspectiva da emigração. A conjugação da massa crítica social, a existência do porto  associado a atractividade que exercia a presença britânica no mesmo,  e as condições socio-económicas liberais que isto tudo proporcionou, forjaram nesta ilha um espírito de abertura ao mundo e uma identidade peculiar. Esta identidade nascida do urbanismo, da industrialização seria o molde, o substacto para a identidade cabo-verdiana moderna, que iria, como estudiosos defendem, potenciar as aspirações para a formação da nação Cabo Verdiana do século XX e o estado independente.
Sobre este ponto a relação entre a identidade cabo-verdiana moderna e a cidade do Mindelo Ondina Ferreira (1)  escreve: Aproveitaria esta oportunidade para transcrever excertos de um texto que retirei do “blogue” «Arrozcatum» de Zito Azevedo “ (…) na segunda metade do séc. XIX, Mindelo torna-se um pólo de atracção para camponeses sem terra, que fogem da fome e da miséria, para famílias de importantes proprietários agrícolas ou comerciantes que aqui encontram melhores oportunidades de negócio e também para aqueles que, por serem mais escolarizados, podem encontrar bons empregos na Administração e Serviços. Vêm principalmente das ilhas de Santo Antão e São Nicolau, mas ao longo dos tempos é todo o arquipélago que aqui se cruza. No dizer de Onésimo Silveira, S. Vicente é a única ilha povoada por cabo-verdianos.”In: «Arrozcatum» blogspot.com Zito Azevedo, “A Formação da Sociedade Mindelense“. Esta asserção a negritos da tese de Onésimo Silveira – e é aí que a transcrição tem sentido para este escrito – relativamente ao povoamento inicial da ilha de S. Vicente, com algumas tentativas conhecidas a partir do século XVIII, vem ao encontro da tese da identidade já completamente formada, cujos sujeitos povoadores, vindos de outras ilhas, maioritariamente, de Santo Antão e de S. Nicolau aportaram a S. Vicente – a última a ser povoada – O que só exalta o papel do mestiço, isto é, do filho das ilhas que pôde inclusivamente, povoar uma das ilhas do arquipélago cabo-verdiano. Adriano Lima acrescenta interrogações pertinentes sobre esta temática: para quê tanta preocupação com a nossa questão identitária?. O povoamento da ilha de S. Vicente gerou um cabo-verdiano liberto de complexos étnicos e culturais e é por isso que a mentalidade e as inclinações idiossincráticas do homem do Mindelo são as mesmas, sem distinção de cor de pele ou estrato social ou cultural. Não é que eu queira fazer a apologia do perfil humano do mindelense, até porque a sua mentalidade tem aspectos passíveis de censura, mas se há processo de mestiçagem a merecer curiosidade histórica é o que ocorreu em S. Vicente. E note-se que o processo não se circunscreveu à ilha do Porto Grande, propagou-se e influenciou o cabo-verdiano de outras ilhas, momente no Grupo Barlavento, e é isso que os “ascentralistas” não aceitam por denegar os pressupostos da sua  abordagem política do tema". 
Com a independência nasce um novo paradigma baseado na ideologia reinante dos anos 60/70. A visão de desenvolvimento que imperava então, era a revolucionária e justicialista, pintada com um certo maniqueístas, que consistia na ruptura com o passado, uma tentativa de mudar o mundo e libertar os Homens corrompidos espiritualmente pelo colonialismo. Na realidade segundo os ideólogos os países recém-nascidos da descolonização, devia-se fazer uma ruptura com o passado colonial, mudar 180º o rumo, marginalizar aquilo que os colonialistas privilegiaram e priorizar aquilo que foi marginalizado e oprimido, numa tentativa de vingar as injustiças, e de extirpar as sequelas do colonialismo. Uma tal política segundo eles libertaria definitivamente o país, ao romper com o passado. O drama destas teses, bem intencionadas, em que se tenta aplicar a justiça linearmente e mecanicamente, é que os seus resultados podem ter efeitos contra-productivos ou nefastos. Acontece que segundo alguns ideólogos fundamentalistas S. Vicente pela forte presença ocidental e colonial era, precisamente, a ilha filha bastarda do colonialismo, a aliada do colonialismo. Opções tomadas numa óptica demasiadamente ideológica não poderiam, pois, eleger, logo à partida, a ilha como motor do desenvolvimento de Cabo Verde, redundariam a longo prazo no nivelamento por baixo do arquipélago, e na queda vertiginosa da ilha. Onde o ‘bas blesse’ é que na ausência de projecto credível para Cabo Verde, o investimento no interior do país não saldou no desenvolvimento da agricultura que pudesse gerar uma auto-suficiência alimentar e uma nova economia do país. Sem agricultura, industria e turismo, não havia motores de desenvolvimento, as perpectivas para o país tornaram-se sombrias, sem fonte de receitas, transformava-se num eterno assistido da comunidade internacional.

2ª Parte- Da  Independência à 1ª Via
É comum afirmar-se que Cabo Verde é um país que nasceu de um sonho utópico. Na realidade reza a história que o sonho de uma nação independente parece ter sido acalentado desde o século XIX por uma elite cabo-verdiana proto-nacionalistas, influenciada pela independência do Brasil, embora esbarrando no modus operante para a sua conquita, os meios para a sua concretização e viabilidade, para um arquipélago desprovido de qualquer recurso. Inegavelmente foi Amilcar Cabral e o partido que fundou em terras da Guiné, que permitiram concretizar o sonho da independência de Cabo Verde. Mesmo assim a génese deste movimento não é alheio às reivindicações nacionalistas,/independentistas dos anos 60 nascidas nos países africanos, locais onde radicava uma importante comunidade emigrante, como é o caso do Senegal, uma colónia francesa bastante desenvolvida em contraste com Cabo Verde. É claro que embora a Guiné e Cabo Verde atingiram a independência em 1974 e 1975, concretizando o sonho de Amilcar Cabral, e hoje são dois estados soberanos, o cerne do projecto inicial inspirado por ele, consistia numa unidade orgânica das duas nações (a Unidade Guiné Cabo Verde).
Não se pode esquecer que esta ideia inspirava-se do pan-africanismo uma ideia muito forte nos meios nacionalistas africanos dos anos 60 e que se inseria numa antevisão do projecto de integração africana, um pouco como vinha acontecendo um pouco por todo o Mundo (Europa, América) com a criação de várias estruturas de integração supranacionais. Todavia a Unidade Guiné Cabo Verde não deixava de ser uma das principais fraquezas, o calcanhar de Aquiles do projecto político do PAIGC: a razão da própria existência deste partido supranacional, acabava por ser o germe da destruição do mesmo. As dificuldades conceptuais e práticas na implementação do projecto da Unidade Guiné Cabo Verde, durante a luta de libertação na Guiné, não deixou de ser admiravelmente explorado e combatido pelas autoridades coloniais portuguesas, com argumentos, hoje incontestáveis, o da sua inviabilidade concreta e prática. O facto de Portugal não pretender abrir a mão do arquipélago de Cabo Verde, dado a sua importante posição geoestratégica, fortalecia-o na sua argumentação contra este projecto, contribuindo talvez para o seu fracasso futuro. Os mesmos argumentos seriam retomados pelos detractores do PAIGC, no pós-25 de Abril, acabando por constituir o principal pomo de discórdia entre os protagonistas no terreno em Cabo Verde, no período de 1974/1975, que levou tanta a gente para a prisão,expropriada, torturada e exilada de Cabo Verde. Este mesmo projecto seria a razão do Golpe de Estado de 1981 na Guiné Bissau que pôs termo definitivamente a qualquer pretensão nesta matéria. Paradoxalmente o estado de Cabo Verde que é hoje um Estado de Direito e respeitante das diversas convenções internacionais, vê-se hoje obrigado a uma Lei da Reconciliação Nacional Estado e a pagar “avultadas indemnizações” a expropriados da independência (3). Uma competente bofetada a todos os ‘revolucionários’, que engolem mais um sapo, o da ‘realpolitik’ .
A partir da Independência em 5 de Julho de 1975 os dois países divergiram-se inexoravelmente e irreversivelmente da linha traçada por Amilcar Cabral. era aceitável do ponto de vista teórico, pois na altura os dois estados separados pareciam inviáveis, era demais utópico, inviável, contranatura, tendo em conta aquilo que sabemos hoje sobre a natureza dos dois povos e países.
O que mais restará do núcleo duro da ideologia de Cabral em Cabo Verde? O que restará da ideia da sociedade justa, sem classes e livre da exploração do homem pelo homem, inspirada nos ideais socialismo do século XX? Nada! Mas, felizmente para Cabral, não foi somente na Guiné e em Cabo Verde que este ideal não foi concretizado. Um pouco por todo o Mundo o ideal tornou-se uma miragem. Ou não foram os próprios comunistas renovadores e os socialistas uma vez no poder (ao longo do século XX) que optaram pela gestão social do capitalismo, demostrando a impossibilidade de cumprir este ideal num mundo dominado pelas relações capitalistas, em que procura de vantagens competitivas entre as nações e jogos do mercado e do capital livres é prioritário face a qualquer questão ideológica. Os interesses de Estado e a competição internacional são, pois, uma camisa-de-forças que se sobrepõe às ideologias. Pois se na ex-URSS, a crueza do capitalismo de estado, ou o socialismo real, escondia a realidade da Utopia, foi Deng Xiao Ping na China, ao querer introduzir magicamente doses de Capitalismo no Comunismo, que num estalar de dedos provocou a queda da ideologia que suportava os estados ditos socialistas no Mundo, provocando por efeito dominó a queda do bloco ‘socialista’ europeu. Paradoxalmente, Deng Xiao Ping acreditava na possibilidade da coexistência do socialismo num mundo dominado pela economia de mercado.
No caso de Cabo Verde, paradoxalmente, não obstante, o facto que do partido que se pretende de esquerda e seguidor de Amilcar Cabral e de estar no poder, e governar quase continuamente Cabo Verde durante mais tempo do que qualquer outra força política, a sociedade cabo-verdiana, não sendo excepção do que se passa por todo o Mundo, tornou-se cada vez mais desigual e caminha para situações irreversíveis, onde o fosso entre os ricos e os pobres aumenta inexoravelmente. A situação é paradoxal pois trata-se de uma economia de mercado, mas devido à história do país e os próprios condicionalismos ideológicos, criou-se o pior dos capitalismos, o controlado pelo Estado, mas onde impera amigos e camaradas, com regras liberais, aplicadas quando lhes convém, à discrição, e muitas vezes em detrimento do cidadão. Para além disso, o PAICV partido herdeiro do PAIGC, para se perpetuar no poder e adaptar aos novos ventos mudou, rejuvenesceu, vestiu a camisola ideológica do MPD, liberalizou-se, surfando na vaga dos novos tempos da democracia e da mundialização, tirando assim muito dos argumentos à oposição, que ficou sem bussolada e aparentemente sem programa credível depois de perder o poder em 2000.
                                                          
José Fortes Lopes

 

1-Ondina Ferreira: Identidade cabo-verdiana? Uma falsa questão no século XXI? ... Ou manobra de diversão resultado da nossa pouca "destreza" cultural?

http://www.coral-vermelho.blogspot.pt/2014/10/identidade-cabo-verdiana-uma-falsa.html
2-Quando o PAIGC Achou/Redescobriu S. Vicente. 2.ª Parte - A decadência de S. Vicente: o triunfo da ruralidade, o retorno ao passado e a crise de valores, http://mindelosempre.blogspot.pt/2014/01/0696-quando-o-paigc-achouredescobriu-s.html
3- http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article106666&ak=1



4- Cabo Verde 40 anos após a Independência (Janeiro de 2015)
Considerações Gerais sobre uma Revolução começada em Abril de 1974
Neste ano de 2015, fecha-se o ciclo de 40 anos da Independência de Cabo Verde, tema ao qual dediquei uma série de artigos. Foi uma ocasião para comemorações em que se distinguiram várias iniciativas tanto de cariz individual como colectivo com o intuito de lembrar os feitos históricos associados à Luta de Libertação, por procuração, ocorrida nas matas da Guiné, assim como os eventos que ocorreram após a dita Luta, entre 25 de Abril de 1974 e 5 de Julho de 1975.
No presente artigo, proponho-me um pequeno balanço sobre estes 40 anos da independência de Cabo Verde, retomando assim o fio à meada dos artigos publicados no blogue Arrozcatum no início do ano. Como então afirmei, era minha intenção espoletar (suscitar/despoletar) algum debate nas redes sociais em torno de vários temas associados a esse período, mas sem me iludir quanto à dificuldade de convocar a tímida ou intimidada sociedade/elite cabo-verdiana para um debate maduro sobre uma questão tão importante e crucial, como é o seu passado recente. Para além disso, tomei a iniciativa de colocar um conjunto de questões avulsas aos principais protagonistas sobre assuntos que têm sido abordados de forma evasiva ou até hoje deixados sem resposta, por omissão ou silêncio. O objectivo deste exercício seria suscitar uma reflexão objectiva, rigorosa e descomplexada sobre todo o período em causa, afastando-me dos chavões clássicos ou de uma abordagem simplista que tenda a dividir o mundo entre bons e vilões. Contei assim exercer o meu dever de cidadania, e trazer para a arena actores dos acontecimentos ou aqueles que supostamente detêm mais informações, na esperança de que as narrativas pudessem ser analisadas à luz dos tempos actuais, mas sem deixar de as enquadrar no seu contexto histórico. Mas em vão, pois, existe um tabu, autêntico buraco negro informativo sobre esta fase, sob a forma de um silêncio hermeticamente fechado em relação a factos ocorridos durante o período de 1974 a 1975, ao passo que se faz muito barulho em torno dos tristes episódios de 31 de Agosto de 1981, graves mas não mais importantes que o resto. Como reintegrar este período obscuro na história oficial de Cabo Verde? Estas são as questões deixadas à classe política e aos historiadores.
É claro que eu não tinha ilusões, pois parece que as questões levantadas correm o risco de ficar 'ad aeternumsem resposta, por omissão ou silêncio de quem as deveria esclarecer para a história. Nos artigos precedentes, tentei apresentar com o maior distanciamento possível os protagonistas deste período, as suas condicionantes ideológicas, as suas narrativas, tal como se apresentavam há 40 anos. Tentei esboçar o quadro, o pano de fundo onde se inscrevia todo o contexto da época antes e após 25 de Abril em Cabo Verde, apresentando a posição dos diferentes protagonistas em confronto nesta saga revolucionária, caracterizando-os do ponto de vista social, intelectual e político, definindo os seus perfis sociais e políticos, os diferentes argumentos, as razões e as certezas de uns e outros. Como vimos, a sociedade mindelense/cabo-verdiana fracturou-se a partir de Verão de 1975 entre dois campos supostamente incompatíveis e inconciliáveis: (1) o campo aparentemente minoritário, dito reaccionário, representado por um grupo etário constituído por pessoas menos jovens, identificadas com a classe social dominante, e que não apoiava a solução do PAIGC; (2) o campo aparentemente maioritário, dito progressista/revolucionário, representado pela juventude que defendia a solução da independência total e imediata com o PAIGC. Na realidade, o campo dos opositores ao PAIGC incluía vários sectores, todos apresentando um denominador comum, que era a oposição declarada à Unidade Guiné-Cabo Verde. Havia os que se opunham pura e simplesmente à Independência de Cabo Verde, defendendo uma autonomia alargada e progressiva, uma solução que tinha sido proposta e defendida por muitos sectores intelectuais cabo-verdianos. Havia nacionalistas que duvidavam da viabilidade de Cabo Verde como estado independente nas condições concretas de 1975 e defendiam uma via associativa a Portugal, o que era considerado como a solução neocolonial, uma via de dependência; havia nacionalistas que, por razões de mera rejeição ideológica, se opunham ao PAIGC marxista-leninista e panafricanista, conforme o Partido na verdade se lhes apresentava.
À medida que eram publicados os artigos (no ArrozCatum e replicados no Facebook), fui confrontado com opiniões de vários amigos de diferentes sensibilidades e orientações políticas que foram reagindo e interpelando-me sobre diferentes aspectos abordados, engendrando-se assim um debate interessante, embora circunscrito. Bem gostaria de agradar a gregos e troianos, de manter uma linha mediana entre os intervenientes no debate, pois cada um tem a sua razão, opinião e narrativa. A questão torna-se mais complexa quando se questiona se afinal terá ou não havido revolução mindelense/cabo-verdiana, e se os fins justificaram os meios. Segundo um certo ponto vista, em matéria revolucionária, não se podem fazer omoletes sem quebrar ovos, é oito ou oitenta. Nesta perspectiva, os eventos ocorridos no Verão quente de 1974 na cidade do Mindelo (a tomada da Rádio Barlavento, a expulsão ou o silenciamento da oposição conotada de reaccionária, a erradicação da UDC, acusada de propor uma via neocolonialista para Cabo Verde) só podem ser analisados na óptica de um processo revolucionário que contribuiu de forma decisiva para a conquista da Independência de Cabo Verde, tendo evitado, sob a égide do PAIGC, aquilo que os seus prosélitos consideravam uma via neocolonial. Quem nos dera que Cabo Verde fosse hoje realmente independente e auto-suficiente e que tivesse ocorrido, de facto, uma verdadeira revolução social, cultural e intelectual. Quem nos dera que Cabo Verde se tivesse transformado radicalmente para melhor, e criado verdadeiros Homens Novos, melhores em todos os aspectos do que as gerações anteriores. Quem nos dera que Cabo Verde estivesse a colher em todos os campos os frutos da independência conquistada em 1975. O que resta dos principais chavões (Palavras de Ordem) de 1974-75, senão palavras ocas, ou autênticas cascas vazias?
Na realidade, somos uma geração resultante da implosão do regime salazarista e impregnada dos ideais revolucionários de esquerda dos anos 60-70, trazidos até nós pelos jovens estudantes revolucionários, eles mesmos herdeiros directos de Maio 68 e das lutas anticoloniais e antifascistas em Lisboa. Somos também uma geração resultante da implosão do império português e impregnada dos ideais pan-africanistas de Cabral. Os cabo-verdianos de 2015 são herdeiros do  legado e do pensamento de Amílcar Cabral e do PAIGC que conquistaram o coração dos cabo-verdianos em 1974, também herdeiros da absoluta singularidade de um projecto que foi uma justaposição de utopias (que em boa dose até pode ser salutar: uma sociedade sem classes, livre da exploração do homem pelo homem, o Homem Novo). A maior de todas consistiu em transformar um arquipélago inviável num estado formalmente independente, embora na prática totalmente dependente da assistência internacional. 
Só analisando o passado e integrando-o, podemos apreender o presente e encarar e perspectivar o futuro com discernimento. Deve-se, pois, assumir o passado no seu todo, aceitar os erros, o que correu bem e menos bem ou francamente mal. Será uma prova de maturidade democrática tal atitude. No próximo artigo, apresentarei algumas Reflexões e um Balanço Final sobre o que realmente mudou em Cabo Verde nos últimos 40, entre as Utopias e a Realidade.
(Continua)
















4- Cabo Verde 40 anos Depois Da Independência:
1ª Parte- Quando Cabo Verde renasce em S. Vicente (Janeiro de 2015)
Não agradará a alguns, mas é um facto ilha de S. Vicente, mais propriamente na cidade do Mindelo, graças a um histórico concurso de circunstâncias e a conjugação de factores externos e endógenos, jogou um papel fundamental na génese do Cabo Verde moderno, na passagem à modernidade, após o que foi considerado uma longa noite colonial, quando o arquipélago deixou de ter a importância estratégica no seio do império português e mergulhou no marasmo. É ainda nesta cidade que se criam as condições políticas em 1974 para a existência do Cabo Verde que se conhece hoje, ou seja um país independente, uma situação criada por um evento inesperado, extraordinário, que foi o 25 de Abril.
 Foi precisamente em S. Vicente, nos meados do século XIX que se dava a luz o novo Cabo Verde e nascia um autêntico homem novo cabo-verdiano, que rompia com a vida rural, semi-feudal do fim da escravatura, para abraçar nesta ilha uma vida urbana livre, sob impulso do capitalismo mercantilista britânico, que estabeleceu os seus arraiais em torno da Baia do Porto Grande, com o intuito de controlar a importante rota do Atlântico Médio para seu império, rota que já tina sido exclusiva do império portrugues.
S. Vicente encarnava para o cabo-verdiano fechado no horizonte montanhoso da sua ilha natal, um El Dorado, a liberdade, o trabalho, o mundo e sobretudo a perspectiva da emigração. A conjugação da massa crítica social, a existência do porto  associado a atractividade que exercia a presença britânica no mesmo,  e as condições socio-económicas liberais que isto tudo proporcionou, forjaram nesta ilha um espírito de abertura ao mundo e uma identidade peculiar. Esta identidade nascida do urbanismo, da industrialização seria o molde, o substacto para a identidade cabo-verdiana moderna, que iria, como estudiosos defendem, potenciar as aspirações para a formação da nação Cabo Verdiana do século XX e o estado independente.
Sobre este ponto a relação entre a identidade cabo-verdiana moderna e a cidade do Mindelo Ondina Ferreira (1)  escreve: Aproveitaria esta oportunidade para transcrever excertos de um texto que retirei do “blogue” «Arrozcatum» de Zito Azevedo “ (…) na segunda metade do séc. XIX, Mindelo torna-se um pólo de atracção para camponeses sem terra, que fogem da fome e da miséria, para famílias de importantes proprietários agrícolas ou comerciantes que aqui encontram melhores oportunidades de negócio e também para aqueles que, por serem mais escolarizados, podem encontrar bons empregos na Administração e Serviços. Vêm principalmente das ilhas de Santo Antão e São Nicolau, mas ao longo dos tempos é todo o arquipélago que aqui se cruza. No dizer de Onésimo Silveira, S. Vicente é a única ilha povoada por cabo-verdianos.”In: «Arrozcatum» blogspot.com Zito Azevedo, “A Formação da Sociedade Mindelense“. Esta asserção a negritos da tese de Onésimo Silveira – e é aí que a transcrição tem sentido para este escrito – relativamente ao povoamento inicial da ilha de S. Vicente, com algumas tentativas conhecidas a partir do século XVIII, vem ao encontro da tese da identidade já completamente formada, cujos sujeitos povoadores, vindos de outras ilhas, maioritariamente, de Santo Antão e de S. Nicolau aportaram a S. Vicente – a última a ser povoada – O que só exalta o papel do mestiço, isto é, do filho das ilhas que pôde inclusivamente, povoar uma das ilhas do arquipélago cabo-verdiano. Adriano Lima acrescenta interrogações pertinentes sobre esta temática: para quê tanta preocupação com a nossa questão identitária?. O povoamento da ilha de S. Vicente gerou um cabo-verdiano liberto de complexos étnicos e culturais e é por isso que a mentalidade e as inclinações idiossincráticas do homem do Mindelo são as mesmas, sem distinção de cor de pele ou estrato social ou cultural. Não é que eu queira fazer a apologia do perfil humano do mindelense, até porque a sua mentalidade tem aspectos passíveis de censura, mas se há processo de mestiçagem a merecer curiosidade histórica é o que ocorreu em S. Vicente. E note-se que o processo não se circunscreveu à ilha do Porto Grande, propagou-se e influenciou o cabo-verdiano de outras ilhas, momente no Grupo Barlavento, e é isso que os “ascentralistas” não aceitam por denegar os pressupostos da sua  abordagem política do tema". 
Com a independência nasce um novo paradigma baseado na ideologia reinante dos anos 60/70. A visão de desenvolvimento que imperava então, era a revolucionária e justicialista, pintada com um certo maniqueístas, que consistia na ruptura com o passado, uma tentativa de mudar o mundo e libertar os Homens corrompidos espiritualmente pelo colonialismo. Na realidade segundo os ideólogos os países recém-nascidos da descolonização, devia-se fazer uma ruptura com o passado colonial, mudar 180º o rumo, marginalizar aquilo que os colonialistas privilegiaram e priorizar aquilo que foi marginalizado e oprimido, numa tentativa de vingar as injustiças, e de extirpar as sequelas do colonialismo. Uma tal política segundo eles libertaria definitivamente o país, ao romper com o passado. O drama destas teses, bem intencionadas, em que se tenta aplicar a justiça linearmente e mecanicamente, é que os seus resultados podem ter efeitos contra-productivos ou nefastos. Acontece que segundo alguns ideólogos fundamentalistas S. Vicente pela forte presença ocidental e colonial era, precisamente, a ilha filha bastarda do colonialismo, a aliada do colonialismo. Opções tomadas numa óptica demasiadamente ideológica não poderiam, pois, eleger, logo à partida, a ilha como motor do desenvolvimento de Cabo Verde, redundariam a longo prazo no nivelamento por baixo do arquipélago, e na queda vertiginosa da ilha. Onde o ‘bas blesse’ é que na ausência de projecto credível para Cabo Verde, o investimento no interior do país não saldou no desenvolvimento da agricultura que pudesse gerar uma auto-suficiência alimentar e uma nova economia do país. Sem agricultura, industria e turismo, não havia motores de desenvolvimento, as perpectivas para o país tornaram-se sombrias, sem fonte de receitas, transformava-se num eterno assistido da comunidade internacional.

2ª Parte- Da  Independência à 1ª Via
É comum afirmar-se que Cabo Verde é um país que nasceu de um sonho utópico. Na realidade reza a história que o sonho de uma nação independente parece ter sido acalentado desde o século XIX por uma elite cabo-verdiana proto-nacionalistas, influenciada pela independência do Brasil, embora esbarrando no modus operante para a sua conquita, os meios para a sua concretização e viabilidade, para um arquipélago desprovido de qualquer recurso. Inegavelmente foi Amilcar Cabral e o partido que fundou em terras da Guiné, que permitiram concretizar o sonho da independência de Cabo Verde. Mesmo assim a génese deste movimento não é alheio às reivindicações nacionalistas,/independentistas dos anos 60 nascidas nos países africanos, locais onde radicava uma importante comunidade emigrante, como é o caso do Senegal, uma colónia francesa bastante desenvolvida em contraste com Cabo Verde. É claro que embora a Guiné e Cabo Verde atingiram a independência em 1974 e 1975, concretizando o sonho de Amilcar Cabral, e hoje são dois estados soberanos, o cerne do projecto inicial inspirado por ele, consistia numa unidade orgânica das duas nações (a Unidade Guiné Cabo Verde).
Não se pode esquecer que esta ideia inspirava-se do pan-africanismo uma ideia muito forte nos meios nacionalistas africanos dos anos 60 e que se inseria numa antevisão do projecto de integração africana, um pouco como vinha acontecendo um pouco por todo o Mundo (Europa, América) com a criação de várias estruturas de integração supranacionais. Todavia a Unidade Guiné Cabo Verde não deixava de ser uma das principais fraquezas, o calcanhar de Aquiles do projecto político do PAIGC: a razão da própria existência deste partido supranacional, acabava por ser o germe da destruição do mesmo. As dificuldades conceptuais e práticas na implementação do projecto da Unidade Guiné Cabo Verde, durante a luta de libertação na Guiné, não deixou de ser admiravelmente explorado e combatido pelas autoridades coloniais portuguesas, com argumentos, hoje incontestáveis, o da sua inviabilidade concreta e prática. O facto de Portugal não pretender abrir a mão do arquipélago de Cabo Verde, dado a sua importante posição geoestratégica, fortalecia-o na sua argumentação contra este projecto, contribuindo talvez para o seu fracasso futuro. Os mesmos argumentos seriam retomados pelos detractores do PAIGC, no pós-25 de Abril, acabando por constituir o principal pomo de discórdia entre os protagonistas no terreno em Cabo Verde, no período de 1974/1975, que levou tanta a gente para a prisão,expropriada, torturada e exilada de Cabo Verde. Este mesmo projecto seria a razão do Golpe de Estado de 1981 na Guiné Bissau que pôs termo definitivamente a qualquer pretensão nesta matéria. Paradoxalmente o estado de Cabo Verde que é hoje um Estado de Direito e respeitante das diversas convenções internacionais, vê-se hoje obrigado a uma Lei da Reconciliação Nacional Estado e a pagar “avultadas indemnizações” a expropriados da independência (3). Uma competente bofetada a todos os ‘revolucionários’, que engolem mais um sapo, o da ‘realpolitik’ .
A partir da Independência em 5 de Julho de 1975 os dois países divergiram-se inexoravelmente e irreversivelmente da linha traçada por Amilcar Cabral. era aceitável do ponto de vista teórico, pois na altura os dois estados separados pareciam inviáveis, era demais utópico, inviável, contranatura, tendo em conta aquilo que sabemos hoje sobre a natureza dos dois povos e países.
O que mais restará do núcleo duro da ideologia de Cabral em Cabo Verde? O que restará da ideia da sociedade justa, sem classes e livre da exploração do homem pelo homem, inspirada nos ideais socialismo do século XX? Nada! Mas, felizmente para Cabral, não foi somente na Guiné e em Cabo Verde que este ideal não foi concretizado. Um pouco por todo o Mundo o ideal tornou-se uma miragem. Ou não foram os próprios comunistas renovadores e os socialistas uma vez no poder (ao longo do século XX) que optaram pela gestão social do capitalismo, demostrando a impossibilidade de cumprir este ideal num mundo dominado pelas relações capitalistas, em que procura de vantagens competitivas entre as nações e jogos do mercado e do capital livres é prioritário face a qualquer questão ideológica. Os interesses de Estado e a competição internacional são, pois, uma camisa-de-forças que se sobrepõe às ideologias. Pois se na ex-URSS, a crueza do capitalismo de estado, ou o socialismo real, escondia a realidade da Utopia, foi Deng Xiao Ping na China, ao querer introduzir magicamente doses de Capitalismo no Comunismo, que num estalar de dedos provocou a queda da ideologia que suportava os estados ditos socialistas no Mundo, provocando por efeito dominó a queda do bloco ‘socialista’ europeu. Paradoxalmente, Deng Xiao Ping acreditava na possibilidade da coexistência do socialismo num mundo dominado pela economia de mercado.
No caso de Cabo Verde, paradoxalmente, não obstante, o facto que do partido que se pretende de esquerda e seguidor de Amilcar Cabral e de estar no poder, e governar quase continuamente Cabo Verde durante mais tempo do que qualquer outra força política, a sociedade cabo-verdiana, não sendo excepção do que se passa por todo o Mundo, tornou-se cada vez mais desigual e caminha para situações irreversíveis, onde o fosso entre os ricos e os pobres aumenta inexoravelmente. A situação é paradoxal pois trata-se de uma economia de mercado, mas devido à história do país e os próprios condicionalismos ideológicos, criou-se o pior dos capitalismos, o controlado pelo Estado, mas onde impera amigos e camaradas, com regras liberais, aplicadas quando lhes convém, à discrição, e muitas vezes em detrimento do cidadão. Para além disso, o PAICV partido herdeiro do PAIGC, para se perpetuar no poder e adaptar aos novos ventos mudou, rejuvenesceu, vestiu a camisola ideológica do MPD, liberalizou-se, surfando na vaga dos novos tempos da democracia e da mundialização, tirando assim muito dos argumentos à oposição, que ficou sem bussolada e aparentemente sem programa credível depois de perder o poder em 2000.
                                                          
José Fortes Lopes

 

1-Ondina Ferreira: Identidade cabo-verdiana? Uma falsa questão no século XXI? ... Ou manobra de diversão resultado da nossa pouca "destreza" cultural?

http://www.coral-vermelho.blogspot.pt/2014/10/identidade-cabo-verdiana-uma-falsa.html
2-Quando o PAIGC Achou/Redescobriu S. Vicente. 2.ª Parte - A decadência de S. Vicente: o triunfo da ruralidade, o retorno ao passado e a crise de valores, http://mindelosempre.blogspot.pt/2014/01/0696-quando-o-paigc-achouredescobriu-s.html
3- http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article106666&ak=1


Quando a Inglaterra Achou/Redescobriu S. Vivente: fim da sociedade escravocrata e início do Cabo Verde moderno  (Janeiro de 2014)


                                          (Das vicissitudes do passado ao Cabo Verde moderno

A Inglaterra redescobriu portanto Cabo Verde e achou S. Vicente no início do século XIX, construiu Mindelo no momento em que Cabo Verde e Portugal entravam numa encruzilhada histórica, e em que era necessário redefinir uma vocação e um novo conceito estratégico para o arquipélago. Toda a história de Cabo Verde mudou a partir de 1838 quando a companhia inglesa East India implantou-se em S. Vicente, ou melhor, quando a Royal Mail Steam Packet iniciou a instalação de depósitos de carvão para o abastecimento da navegação que ali passa com destino ao Atlântico Sul, a partir de 1850 (3,4,5,6). Com a criação de um ponto de fixação do império britânico em S. Vicente e no meio do Atlântico, a Inglaterra conquistou um ponto estratégico para as comunicações e o serviço ultramarinos, Cabo Verde voltou à luz da ribalta, ganhando uma importância geoestratégica perdida, pelo efeito induzido pela própria presença da principal potência mundial. Este evento teve um impacto socio-económico revolucionário no arquipélago, marcou a ruptura com a antiga sociedade, estruturalmente tradicional, rural, que ainda vigorava nas ilhas mais povoadas, em especial Santiago. Nelas, as relações económicas semi-feudais e uma hierarquia estritamente rácica baseada na cor da pele decorrentes da história escravocrata era a característica principal. Cabo Verde feudal foi assim bruscamente catapultado para a modernidade pelo simples jogo da presença inglesa, pelo importante movimento de populações interno provocado pela ‘industrialização’ de S. Vicente e a eclosão de novas relações de produção no arquipélago. Foi assim um acto libertador, de ruptura com o passado. Marcou o fim inexorável de uma época muito marcada pela ilha de Santiago, e o início da sua progressiva marginalização e esquecimento. Nascia um novo Cabo Verde e consagrava-se a nova estrela do arquipélago, a nova ‘capital’ Mindelo (razão porque a Metrópole tentou transferir, em vão, para S. Vicente a capital de Cabo Verde para dar um novo ímpeto socio-económico à colónia (5,6)). Mindelo era cidade livre das teias do passado, cosmopolita, aberta ao mundo, centro intelectual, cultural e económica do país.
A presença inglesa em S. Vicente tornou-o um ponto de passagem obrigatória entre a Europa e a África, e uma porta de entrada para o Mundo para os cabo-verdianos. A cidade do Mindelo constituiu o ponto de fractura e de conflito entre o Cabo Verde colonial e o pós-colonial, entre o passado e o futuro, o mundo rural e o urbano, o progresso e a conservação, o moderno e a tradição, e passou a ser o rosto do conformismo, da irreverência e da contestação. Doravante Cabo Verde passou a estar dividido em dois mundos: o urbano, laico, operário, liberal progressista, centrado na ilha de S. Vicente, e o Cabo Verde profundo, rural, retrógrado, conservador, profundamente, católico, localizado das restantes ilhas do arquipélago. Quanto maior era a situação de interioridade de uma ilha pior era o caso, situação que até hoje perdura.
Um novo Mundo abria-se assim em S. Vicente aos cabo-verdianos, o Eldorado ou Terra Prometida, o sonho cabo-verdiano.
 Vão confluir para a ilha milhares de crioulos de todos os estratos sociais e de todos os pontos do arquipélago (5), que irão formar os germes desta nova sociedade cabo-verdiana liberta dos grilhões e das sequelas do passado, formando os germes da futura nação crioula que um dia poderia nascer.
Juntam-se nesta aventura emigrantes de vários pontos do mundo, alguns judeus, portugueses, ingleses, italianos, alemães, indianos, árabes. S. Vicente nasce, assim, ilha mundializada, liberal, nobre, ecléctica, cosmopolita, onde floresceram múltiplas actividades liberais. Nela os cabo-verdianos adoptarão um estilo de vida citadino, matizado por valores europeus, nomeadamente portugueses e ingleses. O impacto destas transformações constitui uma autêntica revolução em Cabo Verde. A alavancagem para um Cabo Verde moderno e contemporâneo deu-se portanto a partir de S. Vicente.
Estavam assim postas em causa as bases ideológicas e sociais sobre as quais assentava a tradicional sociedade escravocrata ancorada em Santiago, e um novo conceito de Cabo-Verde estava a nascer onde poderiam conviver todas as raças, brancos, pretos, amarelos e mestiços, independentemente da condição socio-económica.
Estavam criadas as condições para que os próprios cabo-verdianos impulsionados pela dinâmica e a ousadia mindelenses, revigorada na revolução do 25 de Abril de 1974 e na nova ordem mundial nascente, redescobrissem Cabo Verde e ousassem contra todos as probabilidades desafiar o destino e sonhar um país. Uma nova e extraordinária aventura, mas com riscos e lágrimas para a S. Vicente e a sua população (mas não para uma certa elite frívola mindelense que se mudou com armas e bagagens para o novo eldorado), iria recomeçar em Cabo Verde. A Ilha apostou, jogou dignamente o seu papel, colocou todas as cartas na mesa, mas perdeu no fim. Uma revolução social e política que aí tinha começado foi mais uma vez subvertida e só podia tê-la sido por razões que veremos. Tornou-se aos olhos da sua própria elite, paradoxalmente e ironicamente num envergonhado problema pós-colonial, artificialmente re-inventado para a nova ideologia, quando por ironia do destino mudaram-se os tempos e as vontades em seu desfavor. Este artigo que aqui termina é pois o pano de fundo para novo e próximo:

sábado, 22 de junho de 2019

MANIFESTO PARA A CRIAÇÃO DE UM MOVIMENTO PARA A REGIONALIZAÇAO DE CABO VERDE  (LIBERAL ONLINE 2010)

OBJECTIVOS: Se Associar ao Movimento para Regionalização em Cabo Verde
e Autonomia para S. Vicente. Não se trata da Emancipação Política desta ilha.
PORQUÊ ISTO É IMPORTANTE
É urgente travar o centralismo em Cabo Verde para:
1- Aproximar os decisores políticos das populações;
2-Definir um estatuto político digno para S. Vicente, em consonância
com a sua vocação de capital alternativa de Cabo Verde;
3-Resolver a crise social económica e moral crónica que assola a
ilha.
PREÂMBULO
O actual modelo organizacional e de desenvolvimento de Cabo Verde encontra-se numa encruzilhada. Num contexto económico de crise e de grandes incertezas, o país apresenta sinais preocupantes de estagnação socioeconómica e bloqueios políticos, pelo que se torna premente a definição de novos rumos, nomeadamente uma mudança do paradigma socioeconómico e organizativo do país.
Os modelos de desenvolvimento implementados desde a I República, consistindo na concentração de todos os poderes na capital e o relegar de outras parcelas do território nacional para um estatuto de regiões periféricas, violaram a organização natural e racional do espaço nacional. Para além disso, exacerbaram divisões nacionais e rivalidades regionais, ao mesmo tempo que aprofundaram situações de injustiça na repartição de meios e recursos disponíveis. Este modelo conduziu a atrofias e disfuncionamentos no desenvolvimento do país, acarretando o atraso das demais ilhas.
S. Vicente é uma vítima evidente das opções centralizadoras no país, tendo perdido o essencial da sua relevância política. A ilha sofreu desde a independência situações de estagnação socioeconómica, sendo já notória uma a crise que a assola nos três vectores fundamentais: económico, social e cultural.
Paradoxalmente a capital, a principal beneficiária do centralismo no país, é outra vítima desta política. Ela sofre de situações típicas das grandes capitais cosmopolitas e dos problemas característicos das capitais africanas: penúria de energia e água, saneamento e salubridade públicos deficientes, situações preocupantes de insegurança, criminalidade e corrupção.
Vários estados, nomeadamente democracias ocidentais, caracterizados por situações de descontinuidades territoriais ou assimetrias nacionais, e de concentração de poderes, mitigaram esses problemas, implementando políticas descentralizadoras e modelos organizativos modernos. A França, país de Napoleão, o criador do modelo contemporâneo de estado centralizador, acabou por instilar doses importantes de Desconcentração e de Descentralização, com a instauração de Regiões, Departamentos e Comunas, ao mesmo tempo que reforçou a presença do estado através dos Prefeitos (Governadores Civis). Portugal estado centralista, constitui-se após o 25 de Abril em três Regiões: o Continente a Região da Madeira e a Região dos Açores. A Espanha encontrou a solução para as suas questões nacionais, instaurando Regiões Autónomas: as Canárias, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, etc.). Outros estados como os EUA, o Brasil a Alemanha a Suíça, foram mais longe com a criação do conceito de estado federal. Mais próximo de Cabo Verde, e um caso exemplar em África, Marrocos está envolvido num vasto programa de boa governação e modernização do estado, através de um ambicioso projecto PADMarroc lançado em 2005, consistindo na Descentralização e Desconcentração do Estado através de criação de Regiões Administrativas.
No intuito de contribuir para o debate sobre a Descentralização, um grupo de cidadãos sem filiação partidária, ideológica e religiosa, associou-se, subscrevendo um apelo em prol da criação do Movimento para a Regionalização e a Autonomia de S. Vicente, exortando os mindelenses e os cabo-verdianos em geral, a aderirem a esta iniciativa. Exorta também os partidos a se entenderem e concertarem os esforços na implementação urgente de políticas tendentes a inverter a situação centralizadora reinante em Cabo Verde, e na definição de um projecto nacional com o objectivo da realização de uma profunda Reforma Política e Administrativa do país. Estão convencidos que estas iniciativas reforçarão a democracia participativa e a cidadania, ao mesmo tempo que estimularão solidariedades e sinergias regionais e a mutualização regional de meios e capacidades.
Sabendo que as afinidades culturais e as sinergias criadas pela proximidade regional e forjadas ao longo de séculos de história comum de grupos de ilhas, criaram fortes identidades regionais, e reconhecendo como factor de enriquecimento o reforço da solidariedade regional, apela-se à criação de Regiões com efectivos poderes de decisão, no plano político, económico, financeiro e cultural.
Assim, no âmbito do que precede, o Movimento entende que é imperativo implementar um conjunto de medidas, a saber:
1. PROGRAMA MÍNIMO: REGIONALIZAÇÃO DE CABO VERDE
-Promover a instauração de Estados Gerais para estudar aprofundadamente a matéria da Regionalização, implementando um debate nacional sobre a Descentralização. Procurar envolver mais intensamente todos os parceiros sociais, económicos e políticos no debate sobre o tema, identificando a raiz do problema da centralização excessiva do país.
-Definir um grupo de trabalho para estudar as diferentes experiências de Descentralização no Mundo.
-Implementar um calendário de Descentralização, ‘O Roteiro da Descentralização’, para se proceder a uma Reforma Política e Administrativa do País, no sentido de uma criteriosa descentralização política.
- Definir um recorte Regional do País, propondo a criação das seguintes regiões:
- Região Barlavento 1: S.º Antão S. Vicente e S. Nicolau;
- Região Barlavento 2: Sal e Boavista;
- Região Sotavento 1: Santiago e Maio
-Região Sotavento 2: Fogo e Brava
2. PROGRAMA MÁXIMO: AUTONOMIA DE S. VICENTE
S. Vicente foi, no passado, o centro económico, político, cultural e intelectual de Cabo Verde. Foi nesta ilha que se implantaram, no século XIX, com o arranque da Segunda Revolução Industrial, as primeiras unidades industriais e comerciais do arquipélago, que dinamizaram toda a vida económica da então colónia. S. Vicente passaria então a ser o coração do Arquipélago. Graças à abertura ao exterior proporcionada pelo seu importante porto de mar, Mindelo tornou-se um centro cosmopolita, fervilhando de actividades culturais, artísticas e recreativas, que projectaram a ilha no mundo.
Abrigou as melhores escolas e o primeiro liceu da colónia, tendo sido o berço da quase totalidade da passada e actual ‘’intelligentsia” cabo-verdiana, assim como da maior parte da actual classe dirigente do país. A ilha congrega as múltiplas idiossincrasias de Cabo Verde, sendo o paradigma do sincretismo nacional. É um exemplo de tolerância e integração positiva de valores universais. Foi em Mindelo que nasceu o primeiro movimento cultural que haveria de conduzir ao despertar da consciencialização política da população da colónia, e foi nele que se travaram as lutas mais determinantes para o futuro de Cabo Verde.
Considerando que os problemas que S. Vicente defronta têm uma origem inquestionavelmente política, e que a sua resolução dependerá da exploração conveniente das capacidades e competências políticas existentes na ilha, associada a uma maior proximidade dos decisores políticos às populações, propõe-se para esta ilha a adopção de uma plena Autonomia Administrativa, Politica e Económica. Não se trata de uma emancipação política dentro do quadro da nação caboverdiana, mas sim da democratização de um sistema político excessivamente centralizado e burocratizado. Com efeito, não pode existir regionalização sem descentralização dos poderes e competências noutras parcelas do país, nomeadamente S. Vicente. Esta ilha tem vocação e competências para ser uma capital regional e um pólo aglutinador de competências, como foi no passado. Para além disso, para resolver os problemas crónicos que ela enfrenta, precisa de uma gestão competente com reais poderes políticos administrativos e económicos, situação inexistente actualmente. Por isso propomos:- A sua Dinamização, recriando uma nova elite económica, intelectual e cultural que permita descongestionar a capital e dinamizar o país, criando um segundo pólo aglutinador do desenvolvimento de Cabo Verde.
- A exploração conveniente das capacidades e competências políticas existentes na ilha, associada a uma maior proximidade dos decisores políticos às populações
- Mais e melhor promoção da ilha e o melhor acompanhamento dos investimento do estado central, nomeadamente no âmbito do Porto e do Aeroporto e das grande infra-estruturas, mais e melhor investimento em politicas urbanas e rurais para a ilha.
-Mais e melhor respeito das especificidades culturais da ilha, reconhecendo-se como factor de enriquecimento a diversidade cultural, insular, regional e linguística do país.
Coordenação Diáspora: José Fortes Lopes
Coordenação Mindelo: Júlio César Alves; João Lima
Nota: Este Manifesto está disponível no seguinte endereço:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=MOVIRECV
Os signatários podem assim deixar os seus comentários ou manifestar a sua adesão no sentido de uma participação activa. É importante disponibilizar o e-mail para o administrador, que garantirá o sua total confidencialidade, para que possam estar contactável e à par das futuras iniciativas a decorrer em 2012. Todos somos poucos para apoiar esta causa.
JOSÉ FORTES LOPES
JÚLIO CÉSAR ALVES
JOÃO LIMA

antónio vitorino
a.vitorino@gmail.com
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Comentário:
Tomem a vossa independência já e deixem-se de basófias. Caramba de povo que só vive do passado e não tem a coragem de analisar as razões do seu declínio! Culpa no cartório, não, nada disso, pessoas iluminadas nunca têm culpa! A culpa é sempre do centralismo da Praia, Praia, sempre a Praia. Oh baita dor de cotovelo! Porque não dizes, oh articulista, qual foi o resultado de todo o investimento nas industrias em SV desde a independencia? Porque razão a Cabnave se tornou nossa maior dívida durante a 1ª república? Porque o Lazareto nunca deu resultado? Porque a ONAVE, a Metalcave, e tantos outros investimentos só nos deram prejuízos? O terminal de contentores que nos custou os olhos da cara e continua às moscas? Bando de crianças que quer à via força ser o centro de tudo! Quer regionalização? E vão pagar os custos como? Com basófia? com show-off? Ou será as outras regiões a pagar a vossa fatulência? Tomem a vossa independência política e criem o vosso Eldorado, a vossa nova Atlantis! Oh corja!
Jim Morrison
jmorrison@gmail.com
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Comentário:
A regionalização, é tema tabu para o actual governo. Teimam em não querer falar sobre o assunto. Todavia, já compreenderam que a regionalização em Cabo Verde é inevitável, sob pena de Cabo Verde ficar irremediavelmente á trás no ambito da economia global. e por compreenderem já que a regionalização é inevitável, estão tratando de preparar a sua região preferida. queremos a regionalização sim, mas antes disso, os investimentos tem que ser muito bem repartidos para que todas as regiões estejam de facto estruturadas para se relançarem. É isso que temos que exigir ao governo de Cabo Verde. Já o primeiro compacto do MCA foi praticamente todo investido em Santiago, este segundo (ainda por aprovar no congresso americano)por ter sido diminuido o seu valor, ficando muito aquem dos 110 milhões proclamados pelo sr. primeiro Ministro, prevê-se que tambem será investido em Santiago no sector da energia. (esperemos que tenham o bom senso de investir parte no sector dos transportes maritimos). Vamos preparar esta regionalização dotando cada região de condições de competetividade. Para o bem destas ilhas.
Joana Inês Sá
joinesa@gmail.com
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Comentário:
A regionalização como factor de desenvolvimento só me merece acordo. Eu pertenço ao número dos cabo-verdianos que nada tem contra essa divisão pró-bono, por uma boa causa: o desenvolvimento da cada região com a sua especificidade própria, traz benefícios. O país continuará o mesmo e a nossa identificação idem, idem. O caso dos Açores é emblemático em termos disso. Força!
Albertino
alberdelgado_2@hotmail.com
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Comentário:
Muito interessante, essa ideologia deveria ser considerada, discutida e aprovado pelos decisores do estado, para o bem de cabo verde e da capital em particular onde eu vivo.
Avelino Rodrigues Pina
avelinopin@hotmail.com
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Comentário:
Minhas gentes! Para além de cada caso ser um caso (em relação aos exemplos de países citados), acho que se está a exigir demais para um país tão pequeno como Cabo Verde (com apenas 4033 Km²). Afinal, o Poder Local – uma das grandes conquistas da década de 90, não aproxima a população das decisões políticas? O que pode estar a faltar, é a verdadeira devolução de competências legais conferidas aos municípios (independentemente das suas posições político-partidárias), de forma a criar condições que lhes permitam desenvolver cada parcela territorial, em particular, e Cabo Verde, no seu geral. Acho que o povo cabo-verdiano poderá não aguentar mais “retalhações” da sua Nação, através de medidas inoportunas e não prioritárias, como por exemplo o aumento de mais 5 municípios em 2005 e a criação de “cidades-papéis” em 2010. Digo sim, “cidades-papéis” pelo facto das cidades (!?) recém-criadas não possuírem mínimas de condições ou padrões normalmente aceites para o efeito. Do meu ponto de vista, essa última medida, tratou-se de uma “anormalidade” que surpreendeu um grande número de cabo-verdianos, mesmo aqueles cujos municípios “beneficiaram” do tal milagre. Por isso, como cidadão deste país, queria aconselhar os protagonistas dessa ideia de, primeiro procurarem consultar bem todos os normativos legais pelas quais regem a organização/descentralização territorial do arquipélago (desde à Constituição da República, ao Estatuto dos Municípios … e às demais leis sobre a matéria), de modo a melhor poderem se ajuizar sobre a questão avançada. Aliás, a Lei-Mãe Cabo-verdiana (CR), já dá aos municípios a possibilidade de organização de um Conselho para os Assuntos Regionais, composto por representantes de cada ilha, de acordo com parâmetros legalmente estabelecidos. Mas apenas espero que essa “iniciativa” não tenha como móbil principal, a instalação de “bairrismos doentios e exacerbados” que alguns pretendem instalar neste pequeno Torrão Natal, que é de todos nós. Votos de Festas Felizes e de um Venturoso ano 2012.
Lalacho
palavra@gmail.com
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Façamos um acordo - eu também vos apoiarei nessa patetice, com uma condição - os recursos gerados em cada região ficam onde são gerados. OK? Assim verão o que é bom para tosse! Porque é que o promotor desta besteira que vive fora de SV não larga o bem-bom da diáspora e vem trabalhar para tirar SV do pseudo declínio em que se encontra, ao invés de estar com patetices de títulos e de capital disto ou daquilo? O que o povo de SV precisa é de desenvolvimento, de ter pão pra boca e $ no bolso, independentemente de não ter nunca mais os ex.libris, em jeito de monopólio, que antes tinha! Francamente...!
Santiago
sant@hotmail.com
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De forma mais clara, seria pedir a independência total e imediata para S. Vicente. Santiago não teme, pelo contrário, aplaude.
Alvaro Brito Spencer
alvarospbrito@gmail.com
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Autonomia Regional Federativa e porque não? Só assim as Ilhas do Norte poderão se libertar do jugo neo-colonial de JMN e o seu PAIGC/CV.Estou inteiramente de acordo e já assinei meu nome na petição. Espero que todo o bom Cabo-Vediano do Norte de bom senso, não corrupto, não vendido, possa ter a coragem de fazer o mesmo.Estamos juntos.Que a Força seja conosco.Um abraço Salineiro Alvaro
José Figueira, Junior
jfigueira@wanadoo.fr
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Lutar pela nossa autonomia contra o grupo paigcista/civista prepotente, incapaz sobretudo de dialogo,fazendo sempre a politica do surdo-mudo quando se lhe dirige a palavra,só teremos a ganhar.E, todas as Ilhas do Norte (Santo Antâo, S.Vicente, Santa Luzia (Ilhéus Razo e Branco),S.Nicolau, Sal e Boavista uma vez autonomas só poderão comntribuir para o bem social, na euqidade,do povo cabo-verdiano que bem precisa.Alinho sem contestar.Abraços Zizim
Zena di Nha Maria de Penha
zequinha@cvtelecom.com
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Que disparate. "S. Vicente foi, no passado, o centro económico, político, cultural e intelectual de Cabo Verde. Foi nesta ilha que se implantaram, no século XIX, com o arranque da Segunda Revolução Industrial, as primeiras unidades industriais e comerciais do arquipélago, que dinamizaram toda a vida económica da então colónia. S. Vicente passaria então a ser o coração do Arquipélago. " Sao Vicente foi tudo isso ...no passado. Ja era ! Pra voltar a ser o que foi seria preciso que o mundo andasse as voltas, ao sabor dos promotores desta iniciativa. O que Sao Vicente precisa e de investimentos, empreendedorismo. Que os mindelenses invistam na sua terra e nao em Almada, Cova da Piedade, Rio do Mouro ou outro portucalense local qualquer. E que despertando, como tem sido Santo Antao, e claro que os emigrantes das ilhas das montanhas passaram a ter olhos para a ilha que os viu nascer.Chega de andar pendurado na aba do chapeu dos outros. Que em Mindelo se trabalhe e se deixe de amontoar na Rua de Lisboa para se criticar os outros. Es si ne sina di Mindelo. Portanto sr promotores desta iniciativa...galocha nos pes...fato macaco de mangas arregacadas e toca a trabalhar . No ta li ta espera bzot ~!
Paulo
laupodarocha@live.com
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Eu seria a segunda pessoa a aderir essa Organizacao se no caso formassem uma republica de Tres Irmoes e uma Irma. Sendo assim ficaria Santo Antao, Sao Vicente, Sao Nicolau e Santa Luzia. Mas se aparecer esse Referendo tera de ser feito em todas as Diasporas e no Pais. Conte comigo - Paulo Da Rocha um Santantonense de corpo e alma, e mesmo nacionalista. Paulo Da Cruz Rocha. Email. Laupodarocha@live.com. USA.
José Tavares
jt@yahoo.com.br
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Em Santiago queremos o que quizerem, mas já, imediatamente: autonomia para empresas(ENACOL, ENAPOR, SHELL, ELECTRA, ASA), TCV, Marinha,Pescas etcde forma a cada um financiar com as o seu orçamento próprio o que quizer. Caso hajam donativos reparte-se de acordo com a densidade populacional das regiões instituídas. Queremos pois a região autónoma de Santiago (nada de nos impingir associações) de forma a governarmos os nossos empregos, as nossas empresas e processarmos o nosso merketing e desenvolvimento! Já!
Africano de Raiz
semedo@gmail.com
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Óh...pá! Porquê é que nao pedem a independencia de uma vez por todas? Pecam a independencia, regressem à vossa ilha, e deixem os mais de 50% de postos de trabalho que os sanvicentinos ocupam em Sao Tiago para os verdadeiros cabo-verdianos. Pois vocês nao sao cabo-verdianos, vocês sao sao-vicentianos. Sugiro que tomem a vossa independencia e vao para a vossa ilha comer bolachas com chá de chali importado de Santo Antao. Deixem é o resto de Cabo Verde em Paz e que Praia se desenvolva rumo a uma capital digna e próspera. Viva Cabo Verde cada vez mais unida.
Ursino Évora
ursinoevora@hotmail.com
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Nunca é tarde...isto já deveria ter acontecido hà muito mais tempo.Vamos lidar com este assunto muito sériamente e com determinação,porque já chega de subjugaçao e domínio sotaventista.
URSULA
U@hotmail.com
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VIVA A REGIONALIZAÇÃO SE POSSÍVEL SEM INDEPENDÊNCIA. SE FOR O CASO OS S. VICENTINOS E OS QUE QUEREM SAIR DA MEDIOCRIDADE DOS AFRICANÓIDES COMPLEXADOS PODEM E DEVEM VOLTAR PARA S.VICENTE QUE FOI SEMPRE A PARTE DE CV MAIS EVOLUÍDA.
REGIONALIZACAO
regionalizada@gmail.fr
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Oh.. Colunista Antonio Vitorino; tu fostes o primeiro espreitador pelas( janelas do liberal online ) a criticar este importante artigo ,deste articulista pessoa bem formada e com conhecimentos de causa desta lamentàvel situaçao que se passa em Cabo Verde .Como disse um colunista a respeito deste artigo ,(a regionalizaçao ,é tema tabù para este atual governo) o que é uma pura verdade .Tenho quase a certeza que no teu intimo ,isso é verdade por razoes que salta vista e na compreensao de todos os cidadaos cabo-verdianos ,que querem ver!..- um Cabo Verde para todos !.. -.CENTRALISMO ,sistema que este governo ensiste a preservar ,so traz transtornos para o arquipélago ,particularmente para as ilhas de Barlavento e isso jà està mais do que provado .Falastes de independência ? cito as tuas palavras ;querem ( A VOSSA independência??? Pensastes bem naquilo que escrevestes?( Vossa) independência?? Por esta palavra que escrevestes ,compreende-se que tu és limitado intelectualmente.Vê-se que tu és um dos (guarda-costas) deste governo e um (bairrista ) irresponsàvel .Para o bem do nosso pais ,para o bem deste arquipélago ,tarde ou cedo haverà REGIONALIZACAO !..Isso jà foi motivo de debate ,pelos os grandes responsàveis politicos ,durante a ùltima campanha presidencial e podes crer que serà motivo importante,em prioridade para as pròximas campanhas eleitorais quer seja legislativas como presidenciais .Se tu fosses inteligente compreenderias que a regionalizaçao contrbui para o progresso do nosso pais ,tanto social politico economico e um fato muito importante ,é que a cidade da Praia,serà!.. (despopularizada) porque como sabemos ,o motivo dos graves problemas que a cidade da Praia vem sofrendo ,é sua SUPERPOPULACAO !.Estou certo caro amigo ,que tu estàs consciente disso !..Outra coisa ,falastes dos investimentos que se fez em Sao Vicente e que deram prejuizos ;como a CABNAVE ,LAZARETO etc.! Mas a Cabnave -caro amigo,que se saiba é dos tempos do PAICV ?.Jà agora ,falando dos prejuizos por motivos da mà governaçao .Caro Antonio Vitorino ;o que é que se està a passar com a -VOSSA ELECTRA- ,NA CIDADE DA PRAIA ?..Porque razao hà MAIS APAGOES ,NA ELECTRA NA PRAIA ??? Para terminar digo -te emquanto houver (superpopulaçao na cidade da Praia ,a pobre (electra) continuarà ,A VOS FORNECER ; APAGOES !...Por culpa da (tua) da vossa (cegueira fanàtica)-nao todos claro està - do vosso bairrismo e politico-partidàrio, a vossa mentalidade continurà POR MUITO ANOS ....AS ESCURAS !..Uma regionalizaçao ,nao tem nada aver com a independência !..De qualquer forma ,caro amigo ,com a nossa independência ,-dependemos ainda das ajudas que vem do estrangeiro e da nossa ( indesejada (diàspora) !..
Loje1
jose.flopes@netcabo.pt
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É interessante ver como algumas pessoas de Santiago encaram o centralismo como um dado adquirido e que tudo o que é contra este estado de coisas é 'Contra Nação'. Dá para ver como o centralismo democrático intranhou de tal maneira no país a ponto de se tornar uma ideologia. muitos pensam que o Centralismo é uma situação natural e que não há alternativas ao Centralismo, que a descentralização é a separação ou independência! É interessante e grave ver a deformação da realidade e os preconceitos: mindelenses preguiçosos e santiago trabalha para cabo Verde etc. Isto tudo dá para reflectir sobre as derivas perigosas que o desenvolvimento de Cabo Verde tem tomado. O problema não seria tão grave se não fosse o resultado do pensamento da elite oligáquica dominante que se instalou na Praia e vê a situação actual como sendo a mais propícia para acumular vantagens, privilégios e bens em detrimento de uma distribuição justa da riqueza nacional
Juvenio Lopes Ferreira
juveloferreira@yahoo.com.br
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OBRIGADO SRªDª URSULA!!! MAS FIQUE SABENDO QUE NÓS TIVEMOS UMA ACÇÃO MUITO MAIS FORTE E PREPODERANTE QUE CERTOS SANTIAGUENSES NA LUTA PELA INDEPEDENCIA QUE FOI ADQUIRIDA EM 5 DE JULHO DE 1975.POIS ELES ENCONTRARAM A PAPA FEITA PELOS SAMPADJUDOS FOI SÓ DIGERI-LA CRIARAM O SEU ETATISMO PAIGC/CIVISTA E NÃO NOS DEIXARAM ENTRAR NO NOSSO PAÍS PARA QUE NÃO HOUVESSE JOVENS PARA REEVINDICAR OU CONTESTAR DOS SEUS ERROS. DEPOIS VEIO A RESSACA DA DICTADURA COM SEVICIAS E MORTES SEM REGRAS NEM PUNIÇÕES SONRETUDO NAS ILHAS DO NORTE.POR ISSO A LUTA ESTÁ LANÇADA E VAMOS SEPARAR-NOS MESMO DELES QUE FIQUE COMO O SEU SANTIAGO E NÓS CADA UM COM A SUA ILHA QUE NINGUÉM NOS TOMARÁ CUSTE QUE CUSTE.CABO VERDINAOS NORDISTAS ACORDAIS-VOS E LUTEM CONTRA A PRESENTE COLONIZAÇÃO RETROGRADA BADIA.QUE VIVA AS ILHAS DO NORTE LIVRE. Juvenio
José Manuel de Jesus
jmj@gmail.com
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Sr. Antonio Vitorino (& C°). - Vamos fazer de conta que S.Vicente é uma carga. Que vos endividou, que deram muito à ilha do Porto Grande, que estão fartos. Então, porque não aceitam a ideia de a deixarem com a sua autonomia? S.Vicente pode governar-se se dividirem o dinheirinho equitativamente. Em vez disso, decidiram que as ajudas tinham de ir para a Praia que dividiria. Porquê? Por força de poder do régulo. Esse seu governo nunca quis aceitar a existência de SV e teimam em "comprar" alguns dos seus filhos para melhor o amordaçà-lo. Não se está pedindo a independência que alguns querem dar. Os verdadeiros filhos (porque há vendidos) só querem governar-se com o que vier a receber de direito. O Sr. Furtado está a furtar-se, maldosamente, ao verdadeiro assunto. Se for honesto compreenderá isso. Mais, sr. Vitorino: - Já enganaram muitos suficientemente mas isto é impossivel eternamente e temos a prova com os acontecimentos recentes que, de certo, tem vivido nestes últimos tempos. Penso que os que assinam, não sofrem de folia de grandeza, doença que se apoderou de alguns dos nossos irmãos
loje1
jose.flopes@netcabo.pt
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Mas que raio de mentalidade totalitária-estalinista, que é essa de desautorizar as pessoas de falar ou pensar Cabo Verde, desde que estejam na diáspora? Porque raio é que todos os caboverdianos têm que estar em Cabo Verde e de preferência na Praia, para alimentar ainda mais o centralismo e bajular os poderes? Fiquem sabendo que ao longo da sua existência Cabo Verde sempre dependeu da imigração e da sua diáspora. Mais houve períodos em que as remessas dos emigrantes era praticamente o único meio de subsistência do país. Não são as mesmas remessas que participam ao equilíbrio da balança de pagamentos. Ingratidão ! Há uma mentalidade anti-diáspora fabricada pela elite oligárquica desde a independência que queria criar uma mentalidade de país assediado por tudo o que vem de fora, pelo que o país tinha que ser blindado. Esta mentalidade nacionalista tacanha que tem prejudicado o país, só tem por objectivo a consolidação de injustiças em cabo Verde e a criação desigualdades e discriminações entre pessoas e grupos. Quantos emigrantes reformados ou no activo poderiam ajudar Cabo Verde, melhor do que a legião dos cooperantes que por aí tem passado: os cooperantes e estrangeiros têm a vantagem de não incomodar as elites. O país perdeu para sempre muita gente que poderia ter contribuído para o seu desenvolvimento e o estaria agora num outro patamar intelectual, cultura e político e não naquela ‘choqueira’ que se vive actualmente, criminalidade, insegurança, drogas, corrupção etc.. Mas o país tem que se orgulhar de estar representado em quase todos os países do mundo por profissionais em todas as profissões . Exemplos de países que tratam bem a diáspora: Israel, Portugal, Espanha, França… A lista é longa. Em Cabo Verde não existe um único conceito para a emigração e a diáspora,
indignado
indignado@hotmail.com
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Com o escandalo provocado pelo Presidente da Bolsa de Valores perde o Jose Maria condicoes para continuar a governar Cabo Verde. Foi ele o heroi da criacao das cidades. da transferencia do aeroporto do Sal para a Praia, do movimento do Porto Grande para a Praia, da cimenteira do maio para a Praia e de toda a ajuda americana para a Praia, que cedo ou tarde vai explodir pelas costelas devido a falta de solidariedade para com os irmaos das ilhas. Na verdade isso nao teria acontecido sem o apoio de sampadjudos como Manuel Inocencio,Mario Martos, Adao Rocha, Silvino da Luz, Onesimo Silveira, etc. A democracia e' soldiariedade e uniao e alias o anti-saovicente do jornal asemana foi nomeado conselheiro do Presidente da Republica. Estamos mal. Que fazer? Eis a perguntra que propomos a cada Mindelense em Cabo Verde ou disperso pelo o Mundo. Em cada ilda deve-se organizar Conselhos Regionais para definir uma novqa estrutura democratica para a Nacao Caboverdiana. O Jose Maria deve demitir-se para facilitar a criacao dum estado democratico em Cabo Verde
Lalacho
palavra@gmail.com
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Só blá, blá, blá! Leiam as estatísticas e deixem-se de conversa mole! Vejam as obras correntes do Porto Grande e da Enapor são feitas com dinheiro gerado aonde? Vejam quem contribui mais para o todo nacional e deixem-se de covardias de se esconderem atrás da diáspora para se auto-promoverem ao invés de fazerem como qualquer badio quase sem escola que investe em sua ilha na construção civil, no comércio, na industria e não fica a falar do passado! Caramba, caiam na real construam o presente, ao invés de ficarem em megalomanias do passado. Porque nunca apresentam o modo como irá ser custeada a descentralização? Santiago, como cantou Zé Henrique, pode perfeitamente viver sózinho, pois é ele auto suficiente!
URSULA
U@hotmail.com
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Sr Juvenio Lopes Ferreira! O sr não percebeu ! Eu estou de acordo até com a Independência se os africanóides de Santiago não perceberem que S.Vicente não precisa para nada da Praia
Jornalista
jornalista@yahoo.com
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Ao meu amigo Lalacho queria dizer que em lado nenhum de Cabo Verde, logo em SANTIAGO também, nao se tem recursos proprios para se conseguir sobreviver. Cabo Verde depende em 90 por cento do exterior, entre ajudas estrangeiras e a diaspora. Repito: nao ha uma unica ilha em CV que consegue comida para a boca da sua gente se contar apenas com recursos locais. Eu nao acredito nessa gente que anda a promover a Autonomia de Soncente, mas nao é nenhuma patetice pois entao ha muitos patetas em Portugal, Espanha, França ou Alemanha. E ja agora meu caro Lalacho, tu nao achas que S Vicente tem melhores condiçoes em todos os pontos de vista do que Praia para ser capital?! Independentemente de bairrismos, Mindelo, tem de longissimo melhores condiçoes para ser capital do que PRAI. So um pateta nao vê isso!
Nita Fortes
nitafortes@sapo.cv
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Há certas pessoas muito mal habituadas (ou mal preparadas) que nunca suportam as ideias que que não são as dos seus partidos. Isso porque foram instruídos a respeitar os ditames de um partido totalitarista que deixou o medo bem ancorado no espírito dos atrasados. Eles podem ser vistos aqui a querer contrariar quem preconiza uma divisão equitativa do dinheirinho. O partido único continua a dividir como o usurário de há quase um século quando dividia os shelins e que continua como (ou por) o Jorge que "tira mais e não deixa nenhum". Eles não compreendem que os tempos mudaram e agora aparece gente de se imola para provocar uma revolução. Que acordem enquanto é tempo, antes do caldo se entornar. A mudança é irreversível e mais o tempo passa pior será para eles.
ANTI-HOMI DI MATO
AHM@hotmail.com
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POIS É MUITO SE FALA DOS BADIOS EM RELAÇÂO ÀS MALFEITORIAS DOS BADIOS EM RELAAO A S. VICENTe (E NÃO SÓ, NÃO ESQUEÇAMOS AS OUTRAS ILHAS!) MAS OS MAIORES INIMIGOS DE S. VICENTE NÃO SÃO OS BADIOS, MAS SIM OS S. VICENTINOS LIGADOS DE CARNE E OSSO AO PAIGC/CV, TAIS COMO O GRANDE LARÁPIO DE ONÉSIMO SILVEIRA, O SANGUINÁSRIO E BOÇAL SILVINO DA LUZ, O MARICAS OLÍVIO PIRES, ETC. POR ISSO CONDEMOS ESSES IMBECIS E DEIXEMOS OS BADIOS DA MÃO...
Adriano Miranda Lima
amlima43@gmail.com
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Não me parece que esteja no espírito dos promotores do Manifesto, aliás tenho disso a certeza, qualquer intenção dogmática sobre a regionalização. É indiscutível que existe uma assimetria no desenvolvimento de Cabo Verde, unicamente atribuível a uma política centralizadora que apostou quase exclusivamente na ilha capital, conferindo-lhe uma exagerada macrocefalia que é, por outro lado, e perversamente, causa de alguns estrangulamentos funcionais na própria cidade da Praia. Tudo começou, como eu sempre afirmei, com a concentração maciça de todo o aparelho do Estado na ilha capital, em contraste com soluções encontradas em arquipélagos similares como os Açores e as Canárias, que seguiram o princípio da equidade na distribuição territorial das estruturas do Estado e dos meios. O que se denuncia entra pelos olhos dentro e não me venham dizer que a culpa é da preguiça dos sanvicentinos: o retrocesso económico-social da ilha de S. Vicente. Se em eras recuadas foram os fautores das mais avultadas receitas do arquipélago, como podem de momento para outro serem os culpados da estagnação da sua ilha? Mas é evidente que a regionalização configura um processo complexo, que, por tal, terá de ser estudado, reflectido e discutido em todas as suas vertentes e implicações. Haverá certamente vantagens e inconvenientes que terão de ser postos sobre a mesa para serem sopesados e devidamente equacionados, e é admissível que a delicadeza do processo requeira mesmo um referendo nacional. O que não pode acontecer é a discussão sobre a regionalização servir como arma de arremesso para o insulto gratuito, como parece já desenhar-se quando a procissão nem sequer chegou ao adro. Nem se admite o argumento de que a regionalização atenta contra a coesão nacional, se o que a motiva basicamente é precisamente o efeito contrário, na medida em a complementaridade só pode conduzir ao progresso do todo e desta forma fortalecer a unidade nacional. Pelo contrário, o sentimento de que uns são filhos e outros enteados é que pode ser origem de um mal-estar prejudicial ao próprio moral nacional. Portanto, penso que a regionalização fomenta uma atitude mais participativa e mais responsabilizante das populações, na medida em que sintam mais próximas de si os órgãos de decisão, mercê de uma reestruturação administrativa que permita maior e mais proveitosa interacção entre a dimensão espacial e a realidade social. O importante é que os cidadãos de todo o país, não apenas da ilha de S. Vivente, se associem e se mobilizem para a discussão dos problemas que têm a ver com o seu futuro. Pensar, como fazem os comodistas, que o actual figurino está bem e recomenda-se é que não me parece ser uma atitude realista, quando é o próprio mundo que nos demonstra ter chegado a um impasse do seu verdadeiro progresso, exactamente porque os modelos económicos até aqui vigentes faliram redondamente. Apoio as intenções e os objectivos expressos no Manifesto, que eu já subscrevi. Espera-se um movimento de cidadania em que os cabo-verdianos, onde quer que estejam, possam pronunciar-se sobre o que julgam melhor para o seu futuro, o que, para mim, pode e deve passar por um processo de regionalização bem pensado.